Farol Geek

Game Pass perde rumo e Microsoft revê estratégia

Relatório aponta erro de leitura sobre hábitos dos jogadores e pressão da própria oferta de jogos AAA no serviço.

Logo do Xbox Game Pass em destaque com controles e interface de catálogo de jogos

A Microsoft entrou no mercado de assinaturas de jogos com uma promessa ousada: transformar o Xbox Game Pass na “Netflix dos videogames”. O problema, segundo uma apuração recente repercutida pela Bloomberg, é que a empresa teria confiado demais em um comportamento que não se confirmou na prática. Em vez de manter uma assinatura contínua, muitos jogadores entram, testam alguns títulos e cancelam — para depois voltar mais adiante. O resultado é uma base de membros menor do que a esperada e uma estratégia que agora passa por revisão. [VERIFICAR]

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Após a introdução

Quando o Game Pass foi lançado em 2017, a proposta era reunir centenas de jogos por uma mensalidade. Ao longo do tempo, o serviço ganhou novos planos e ficou mais caro. Mesmo assim, a Microsoft não teria alcançado a meta de assinantes que imaginava internamente. Durante a disputa judicial pela compra da Activision Blizzard, veio à tona a expectativa da companhia de chegar a 77 milhões de assinantes até o ano fiscal de 2026. O número real divulgado recentemente, porém, é de 30 milhões de membros — uma diferença enorme em relação ao objetivo projetado. [VERIFICAR]

O erro de leitura sobre o comportamento dos jogadores

Segundo a apuração, a principal falha foi comparar o perfil do assinante de streaming com o do jogador. Na lógica da Netflix, o usuário paga todos os meses para acessar um catálogo amplo de filmes e séries e tende a consumir conteúdo de forma recorrente. No Game Pass, a dinâmica é diferente: parte do público assina para jogar um título específico, depois cancela e retorna apenas quando outro jogo de interesse aparece.

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Após o primeiro H2

A Bloomberg sustenta essa leitura com dados da Circana, consultoria que acompanha vendas nos Estados Unidos. O levantamento citado indica que a maioria dos jogadores americanos compra no máximo dois jogos por ano, enquanto um terço do mercado não compra nenhum. Esse comportamento enfraquece a tese de uma assinatura sempre ativa e reforça a ideia de que a Microsoft superestimou a fidelidade contínua ao catálogo.

AAA no lançamento virou tiro no pé

Outro ponto interno apontado como problema foi a decisão de colocar grandes títulos próprios no Game Pass já no dia do lançamento. Em teoria, isso aumentaria o valor percebido da assinatura. Na prática, porém, a estratégia teria canibalizado as vendas, empurrando jogadores para o serviço em vez de incentivar compras avulsas.

O exemplo mais forte citado no dossiê é Call of Duty. A estratégia teria causado mais de US$ 300 milhões em perdas nas vendas de Black Ops 6 para consoles Xbox e PC em 2024. No mesmo período, a PlayStation teria ficado com 82% das vendas de Call of Duty naquele ano. Isso mostra o tamanho do impacto comercial de colocar um blockbuster diretamente no ecossistema de assinatura. [VERIFICAR]

“A Microsoft percebeu que os jogadores não se comportam da mesma forma que os assinantes da Netflix”, resume a apuração citada pelo dossiê.

Preço mais alto e saída em massa de assinantes

A situação piorou depois de um aumento de 50% no preço do Game Pass, anunciado em outubro passado. De acordo com o material reunido, essa mudança levou à perda de milhões de assinantes. Em resposta, a atual CEO do Xbox teria decidido reduzir o preço do serviço por considerá-lo caro demais. [VERIFICAR]

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Meio do conteúdo

Essa revisão de rota também altera a política envolvendo Call of Duty: os novos jogos da franquia não seriam mais lançados no Game Pass no mesmo dia do console. Em vez disso, entrariam no serviço um ano depois. Como exemplo, Call of Duty: Modern Warfare 4 chegaria ao Game Pass em outubro de 2027. [VERIFICAR]

O investimento segue alto, apesar da crise

Mesmo com a pressão sobre o modelo, a Bloomberg afirma que o investimento da Microsoft no Game Pass continua pesado: cerca de US$ 1 bilhão por ano para abastecer o catálogo com jogos de terceiros. Ou seja, a companhia não está abandonando a assinatura, mas ajustando uma proposta que, até aqui, não entregou o crescimento imaginado.

Essa crise de assinantes não veio sozinha. Na mesma semana em que a reportagem ganhou força, a Xbox anunciou sua quinta onda de demissões desde a aquisição da Activision Blizzard. Serão 3.200 funcionários afetados ao longo do próximo ano, em uma reestruturação que atingiu a Bethesda com força. Segundo relatos citados no dossiê, a Bethesda Game Studios demitiu dezenas de programadores, artistas e designers, muitos com décadas na empresa. [VERIFICAR]

Também há mudanças estruturais em outros estúdios. Ninja Theory, Undead Labs, Double Fine e Compulsion Games estariam se separando da Xbox Game Studios, com as duas últimas seguindo como independentes. A Arkane também seguiria o mesmo caminho nos próximos meses. [VERIFICAR]

O que esperar daqui para frente

Por ora, o caso do Game Pass expõe um ponto crucial para o mercado: assinatura não é garantia de fidelidade, principalmente em games. O serviço segue relevante, mas o pacote de premissas que sustentou sua expansão inicial parece ter sido revisto pela própria Microsoft.

Para os jogadores, isso pode significar menos agressividade no lançamento de grandes exclusivos dentro do catálogo e mais cautela na forma como a empresa precifica o serviço. Já para a indústria, o recado é claro: copiar a lógica do streaming de vídeo para jogos pode funcionar em parte, mas não do mesmo jeito. [VERIFICAR]

Fontes

Perguntas frequentes

O Game Pass acabou?

Não. O dossiê indica que a Microsoft continua investindo fortemente no serviço, com cerca de US$ 1 bilhão por ano em jogos de terceiros. O que mudou foi a estratégia.

Por que a Microsoft está revendo o modelo do Game Pass?

Porque a empresa teria superestimado a fidelidade dos jogadores ao formato de assinatura e visto efeitos negativos ao lançar jogos AAA no serviço no dia do lançamento.

O preço do Game Pass vai cair?

O dossiê informa que a CEO do Xbox decidiu reduzir o preço por considerar o serviço caro demais, mas não detalha quando isso acontecerá nem como ficará a nova tabela. [VERIFICAR]

Ricardo Carvalho

Editor-chefe

Jornalista de tecnologia com mais de dez anos de estrada, já testou de processador a air fryer. Lidera a redação do Geek Portal e assina os reviews de smartphones e hardware.

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